As pessoas galegas, quando visitam Portugal e falam com pessoas portuguesas, ou quando falam com pessoas brasileiras que visitam a Galiza, falam na sua língua, em galego. E, claro, esperam que a outra pessoa fale na sua língua, em português, de volta. No fim de contas, galego e português som só dous nomes que damos ao mesmo contínuo linguístico. Porém, as pessoas portuguesas ou brasileiras, por desconhecimento da realidade galega, esforçam-se em falar em castelhano (ou, ainda pior, em portunhol) pensando que assim vam ser melhor entendidas. E nom se trata de culpabilizar ninguém, sabemos que isso é feito com toda a boa vontade, mas… é algo mui irritante. É por isto que na AGAL decidimos lançar a campanha Falo galego, fala-me português!
PARA AS PESSOAS QUE FALAM PORTUGUÊS
QUE É O GALEGO?
O galego é a língua própria da Galiza. Descende do galego-português medieval falado no noroeste da Península Ibérica, no território que atualmente se corresponde com a Galiza e o Norte de Portugal. Algumas pessoas defendemos que, ainda hoje, o galego, o português de Portugal, o português do Brasil e o português do resto de territórios de língua oficial portuguesa som uma única língua. Outras pessoas defendem que o galego e o português som duas línguas pertencentes ao mesmo sistema linguístico. Independentemente destes debates, que pertencem mais ao campo da filologia que ao da vida diária, o que está fora de questom é a intelegibilidade mútua. Isto é, podemos entender-nos bem.
O vídeo é só um exemplo de diálogo entre um galego e uma brasileira, mas se tés curiosidade estám a falar desta Leitura Continuada.
PORQUE O GALEGO PODE SOAR A “PORTUGUÊS FALADO COM SOTAQUE CASTELHANO”?
Muitas pessoas falantes de português, ao ouvirem o galego, percebem o sotaque como castelhano. Isto deve-se a que a Galiza leva séculos numa situaçom de diglossia, em que o galego é a língua do povo e o castelhano a língua das elites. No último século e meio esta situaçom agudizou-se, por causa da escolarizaçom obrigatória, em castelhano, e a entrada dos meios de comunicaçom de massas, também em castelhano. Isto produziu que as falas galegas, especialmente as urbanas, tenham uma sonoridade mais semelhante ao mal-chamado “acento neutro” do castelhano.
Este processo é algo bastante comum em todos os Estados modernos, inclusive no próprio Portugal. Hoje em dia é provável que a fala duma pessoa nova de qualquer parte de Portugal seja mais semelhante ao mal-chamado português “sem sotaque” (ou, no caso brasileiro, ao “dialeto neutro“). A consequência disto é que uma pessoa velhinha de Tominho (Galiza) e uma pessoa velhinha de Vila Nova de Cerveira (Portugal) falam praticamente igual, mas uma pessoa nova de Tominho terá um sotaque mais parecido ao castelhano de Madrid ou Valladolid e uma pessoa nova de Vila Nova de Cerveira terá um sotaque mais parecido ao de Lisboa ou Coimbra.
ENTOM, DEVO FALAR EM PORTUGUÊS COM AS PESSOAS GALEGAS?
A resposta curta é “sim”. A resposta longa é “sim, por favor!”. Quando estejas de visita na Galiza e fales num comércio, num bar… fala em português. Devagar e tentando pronunciar bem as vogais, mas em português mesmo. Se notas que a pessoa galega hesita, que nom sabe bem se falar galego ou castelhano, ajuda muito que digas algo do tipo “fala-me em galego, por favor” ou “podes falar em galego para eu entender melhor?”. Daí em diante vás ver como se estabelece uma conversa muito mais próxima, mais pessoal, em que tu e a outra pessoa estaredes totalmente à vontade. É o poder da língua, que serve para unir!
PARA AS PESSOAS QUE FALAM GALEGO
E SE NOM ENTENDO BEM?
É normal que, se nom tés costume, che custe entender determinados sotaques da língua portuguesa. O motivo disto é, simplesmente, falta de exposiçom. Pensa que o português do sul de Portugal é para o galego o mesmo que o andaluz para o castelhano do norte da península. E, do mesmo jeito, o português do Brasil é para o galego o mesmo que o espanhol latino para o castelhano. A diferença é que, por causa da exposiçom massiva que tés aos diferentes dialetos do castelhano diariamente, tés o ouvido feito a isso. Afortunadamente, no s. XXI temos acesso à cultura de todo o mundo através da internet, e podes afazer o ouvido aos diferentes falares do português no mundo vendo vídeos no YouTube ou seguindo pessoas criadoras de conteúdo no Instagram ou no TikTok. E se o teu é a música, o podcast De Lá para Cá pode ajudar-te a descobrir um monte de artistas.
Esta é uma música foi feita para promover a candidatura à UNESCO do património imaterial galego-português. É um pouco antiga, mas é um exemplo fantástico de como uma artista galega (Guadi Galego) e um grupo português (Vozes da Rádio) podem cantar a mesma exata cançom.
E SE NOM ME ENTENDEM BEM?
Se falas lentamente e pronunciando bem, já tés muito feito. O principal problema que tés que enfrentar som os castelhanismos, tanto léxicos como gramaticais. Isto é, dito rápido e mal, é importante que fales bem o galego. Se dis cousas como “*se me caiu a *silla ao *suelo”, nom vam entender. Mas se dis em correto galego “caiu-me a cadeira ao chão”, a frase é idêntica ao que falam no sul do Minho. E, cuidado, estamos a falar só de castelhanismos. Os dialetalismos nom som um problema, e em muitos casos mesmo podem facilitar a comunicaçom. Por exemplo, o sesseio da costa, as formas tipo “irmao” do interior ou esse plural “camiois” que se escuita polo leste do país som formas convergentes com o português.
E… evita falar “demasiado normativo”. A norma da RAG deu muita predominância a certas formas diferenciais que, realmente, tampouco nom eram tam comuns em galego até há bem pouco. Nom se trata de que renuncies ao teu galego, só a que dês preferência a umas palavras galegas sobre outras que, sendo igual de galegas, dificultam a comunicaçom. Por exemplo, em vez de “rematar”, é melhor dizer “terminar”, “acabar”, “finalizar” ou “concluir”; e em vez de “atopar” é melhor dizer, segundo o caso, “encontrar”, “achar” ou “topar”.
NOVAS E ARTIGOS
Falo galego, fala-me português! nos meios de comunicaçom na nossa língua:
- Falo galego, fala-me português! (PGL, 28/07/2026)
- Associação pede aos portugueses para falarem português na Galiza (O Minho, 28/07/2026)
- ‘Falo galego, fala-me português’: a AGAL lanza unha campaña para sensibilizar as persoas lusófonas sobre a realidade lingüística galega (Nós Diario, 29/07/2026)
- A AGAL lanza unha campaña para impulsar o uso do galego nas persoas lusófonas e galegofalantes (Galicia Xa, 29/07/2026)
- Preséntase unha campaña para dar a coñecer a realidade lingüística galega entre as persoas lusófonas (Observatorio da Lingua Galega, 30/07/2026)
- Porque faz tanto sentido quererem que os portugueses não falem galego? (Versa, 31/07/2026)
- Associação pede aos portugueses para falarem português na Galiza (Bom Dia, 31/07/2026)
- Associação galega pede aos portugueses que deixem de falar ‘portunhol’ (Jornal 360, 01/08/2026)
- “Falo galego, fala-me português”: a campaña que convida a derrubar a fronteira lingüística entre Galicia e Portugal (Neofalantes, 01/08/2026)
- Galiza – Falo galego, fala-me português! (Baía da Lusofonia, 01/08/2026)
- Associação galega pede aos portugueses que deixem de falar ‘portunhol’ (Observatório da Língua Portuguesa, 02/08/2026)
- AGAL promove reencontro linguístico entre a Galiza e Portugal contra 40 anos de isolamento (De Norte a Sul, 03/08/2026)
- Vítor Garabana: “Buscamos unha visión conxunta do mundo lusófono e a reintegración lingüística” (Nós Diário, 06/08/2026)
- O camariñán Juan de Lilium tende pontes coa lusofonía a través dos videoxogos (Que Pasa na Costa, 06/08/2026)
- Galiza lança campanha para que os portugueses deixem de falar “portunhol” (RFM, 06/08/2026)
- Galegos pedem a portugueses que deixem de falar portunhol (Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, 07/08/2026)
- Falo português, fala-me em galego! (Público Brasil, 08/08/2026)
- Há um pedido inesperado a quem visita a Galiza: “Não fale portunhol” (Marketeer, 08/08/2026)
- “Falo galego, fala-me português”: a campanha que quer pôr fim ao portunhol entre Portugal e a Galiza (Ekonomista, 10/08/2026)
- Jon Amil, presidente da Associaçom Galega da Língua (AGAL), cóntanos detalles da campaña: «Falo galego, fala-me português» [a partir do minuto 1:30:38] (Radio Estrada, 11/08/2026)
- Campanha pede para que os portugueses falem em português quando estão com um galego (El Trapezio, 13/08/2026)
Falo galego, fala-me português! nos meios de comunicaçom noutras línguas:
- La Galice invite les Portugais à ne plus parler «portunhol» (Portugal.fr, 12/08/2026)
APOIOS
Apoiantes da campanha Falo galego, fala-me português!:
- Lilium, canal galego de manganime e videojogos (ver vídeo)
- MJ Pérez, cantora e comunicadora galego-portuguesa (ver vídeo)
- Alicia Arruti, ativista galega (ver vídeo)
- Marco Neves, professor e escritor português (ver vídeo)
- Carlota Ghatos, influenciadora galega (ver vídeo)
- Jessyka Arantz, influenciadora brasileira na Galiza (ver vídeo)
- imprimetresde, empresa galega de impressom em 3D (ver publicaçom)
- Recuncho Gamer, projeto audiovisual galego de videojogos (ver vídeo)
- Vivien Merciel Suarez, gestora de projetos culturais e escritora brasileira (ver crónica)
- Luís Vilas Espinheira, professor e linguista português minhoto (ver vídeo)
- Profe Marisinha, professora galega (ver vídeo)
- Na Real Na Europa, assessoria jurídica brasileira na Europa (ver publicaçom)
- Junta de Freguesia de Ramalde, freguesia do município português do Porto (ver publicaçom)
- Joana Alegre, cantora portuguesa (ver vídeo)
- Igor Ferraz, professor brasileiro de português na Galiza (ver vídeo)
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A campanha Falo galego, fala-me português! foi ideada por Jon Amil.
O logo e imagem gráfica foi desenhada pola Sacauntos Cooperativa Gráfica.









