O reintegracionismo postula que o galego, o português e o brasileiro som variantes da mesma língua. Esta tese foi a defendida tradicionalmente polo galeguismo.
A palavra reintegracionismo deriva de reintegrar que quer dizer ‘integrar novamente‘. O reintegracionismo é uma estratégia para a língua da Galiza que se baseia num facto histórico, uma análise e uma hipótese razoável.
Facto histórico
O facto histórico é que a nossa língua nasceu no Reino da Galiza, na Idade Média, num território que incluía a atual Galiza e o norte de Portugal (além de territórios que atualmente fam parte das Astúrias e de Castela-Leom). Esta língua avançou para sul em direçom ao que seria o Reino de Portugal e depois cruzou os oceanos. Sucedeu que enquanto no Reino de Portugal triunfou socialmente, sendo a língua de todos os estamentos sociais, a norte do Minho, foi a língua castelhana a que ocupou a cúspide social aumentando a sua presença até o dia de hoje em todas as classes sociais.
Análise
A análise revela que:
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Do ponto de vista linguístico, as falas galegas estám mui castelhanizadas (¹) sendo esta a principal barreira para comunicarmos com os falantes do resto do nosso domínio linguístico.
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Do ponto de vista funcional, a nossa língua na Galiza está ausente em áreas estratégicas para uma língua: meios de comunicaçom, justiça, empresa, etc, espaços ocupados polo castelhano.
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Do ponto de vista cultural e identitário, a maioria dos falantes sentem mais familiar o castelhano que as variedades lusitana ou brasileira. A cidadania galega está empapada de cultura expressada em castelhano mas desconhece a lusitana, a brasileira ou a africana de fala portuguesa. Isto verifica-se especialmente quando queremos aceder a produtos culturais noutras línguas (traduções de livros, cinema, software), ocasiom em que inércia nos leva a recorrer ao castelhano.
Hipótese
A hipótese razoável é que das duas estratégias que se postulam para inverter o estado atual da nossa língua, a autonomista (galego é só a língua da Galiza) e reintegracionista (galego é a língua da Galiza e de vários países mais), a segunda pode ser a mais eficaz.
Porquê?
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Do ponto de vista linguístico porque as variedades de Portugal e do Brasil som as línguas comuns nos seus países e a língua é soberana a respeito do castelhano ou de qualquer outra. Apoiar-nos nelas permitiria soberanizar (²) a nossa variedade.
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Do ponto de vista funcional, muitas das carências (³) da nossa língua na Galiza poderiam superar-se com outras variedades da nossa língua, nomeadamente a do Brasil e a de Portugal.
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Do ponto de vista cultural e identitário, a nossa cultura inserida na lusófona (⁴) veria-se reforçada e alcançaria mais difusom. Uma identidade compartilhada com os outros países que falam a nossa língua, reforçariam a identidade da nossa língua como sendo independente do castelhano
Para uma visom de conjunto: A estratégia luso-brasileira para o galego
(¹) Castelhanizaçom
A castelhanizaçom segue duas dinámicas: perder e nom ganhar.
Perdemos palavras porque caem em desuso. Caraterizam-se por serem palavras que tenhem umha raiz diferente do seu correspondente castelhano:
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achar vs. encontrar, hallar
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ciúmes vs. celos
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gabar vs. adular
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gume vs. filo
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leilom vs subasta
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leme vs. timón
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segunda-feira vs lunes.
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bombilla vs. lámpada
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cubiertos, cubertos vs. talheres
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chistera vs. cartola
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huelga, folga vs greve
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salpicadero, salpicadeiro vs. painel
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soplete vs. maçarico
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farola vs. candeeiro
(²) Soberanizar
Por soberanizar queremos indicar que, na hora de criar termos novos para designar realidades novas, a nossa língua nom seja dependente do castelhano, a mesma que a está a substituir. Eis alguns exemplos lexicais de falta de soberania e ao lado as soluções internas de outras variedades da nossa língua:
| rueiro | roteiro |
| parella de feito | uniom de facto |
| brote de gripe | surto de gripe |
| piso piloto | andar modelo |
| desenrolo sostible | desenvolvimento sustentável |
(³) Carências da nossa língua na Galiza:
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Livro técnico
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Best-sellers
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Literatura universal
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Publicações de quiosque
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Software
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Versões de filmes, quer legendados, quer dobrados
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Música em certos estilos
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Canais generalistas de televisom
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Canais temáticos de televisom
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Versões dos sites mais visitados na nossa língua
(⁴) A nossa cultura inserida na lusofonia
De facto já há experiências bem sucedidas da cultura galega como formando parte da lusofonia, por exemplo poderia-se citar:
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Cantos na maré é um festival de música lusófona que se vem celebrando desde o ano 2003, quase sempre em Ponte Vedra, se bem a sétima ediçom, no ano 2009, tivo lugar em Fortaleza (Brasil). Este festival tem permitido ao público galego escuitar uma mui variada seleçom de música em português, e aos músicos galegos pôr-se em contacto com músicos doutros países utilizando a sua língua. Polo palco de Cantos na maré tenhem passado um bom feixe de músicos, alguns já consagrados, outros no ínicio da sua carreira, mas todos unidos pola mesma língua:
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Do Brasil: Chico Cesar, Renata Rosa, Luanda Cozetti, Paulinho Mosca, Cacau Brasil, Lenine, Socorro Lira.
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De Guinea Bissau: Manecas Costa, Eneida Marta.
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De Portugal:Filipa Pais, Dulce Pontes, Sergio Godinho, Raquel Tavares, António Zambujo, Carlos do Carmo.
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De São Tome e Príncipe: Tonecas
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De Timor Leste: José Amaral
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Aló irmao! é um disco conjunto do galego Narf (Fran Pérez) e o guineense Manecas Costa, gravado ao vivo no Teatro Principal de Santiago, e com a participaçom do percussionista moçambicano Celso Mahuie. O álbum gozou de sucesso internacional e o seu single chegou a ser o número 1 do Top Ten da RTP África.
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Inxalá é um romance de Carlos Quiroga, que ganhou no ano 2005 o XV Prémio Carvalho Calero de criaçom literária. Este romance foi incluído na Biblioteca de Verão com a que os jornais portugueses Diário de Notícias e Jornal de Notícias presenteárom aos seus leitores no verão de 2010, atingindo assim uma distribuiçom maciça entre o público português.

