Queredes ser portugueses?
Querem os valons ou os quebequenses ser franceses? Os teuto-suíços ou os sul-tiroleses serem alemães? Os chilenos ou os porto-riquenhos serem espanhóis? Os irlandeses ou os australianos serem ingleses?. É muito frequente as fronteiras linguísticas nom se corresponderem com as fronteiras políticas, já que, por uma parte, existem vários grupos de nações que tenhem a mesma língua oficial: francofonia, anglofonia, hispanofonia, lusofonia, etc., e, por outra, existem muitas mais línguas que estados, e portanto o usual é num estado falarem-se várias línguas.
Os reintegracionistas que militam nalguma força política fam-no maioritariamente em forças independentistas ou federalistas, nom existindo na atualidade nengum movimento político organizado que defenda a inclusom da Galiza na República Portuguesa.
Porque em Portugal nos falam em castelhano?
Em Portugal continental, exceto o Algarve, a imensa maioria dos turistas som espanhóis, e a indústria turística portuguesa adaptou-se logicamente a esta circunstância. De maneira que para os trabalhadores deste ramo falar castelhano é uma mais-valia. E assim tam logo detetam que o cliente é espanhol falam-lhe, melhor ou pior, em castelhano. E fam-no por dous motivos, por tentar agradar a clientela, mas também com o intuito de praticarem o castelhano, e nom sempre a primeira causa é a principal.
Para os galegos que pretendemos falar a nossa língua em Portugal, ou mesmo para qualquer espanhol que pretenda praticar português, este fenómeno revela-se um tanto frustrante. Aliás, como o visitante interage principalmente com a indústria turística -hotéis, restaurantes, lojas de lembranças…-, pode chegar a conclusom de que em Portugal a maior parte da populaçom fala castelhano. Mas este é um fenómeno restrito a tal indústria, e fora dela nom se verifica. Assim se entramos numa livraria, numa sapataria, numa loja de azulejos… o usual é os vendedores falarem unicamente em português.
Como conseguir que nos falem na sua língua?
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Pedindo-lho educadamente.
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Evitar as zonas mais turísticas.
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Tentar falar com gente fora da indústria turística.
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Aproximar o nosso galego ao padrom lusitano.
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Usar o sesseio.
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Evitar no possível o léxico que nos afasta das falas de Portugal, nomeadamente castelhanismos.
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A AGAL também tem feito uma campanha neste sentido, com o lema Falo galego, fala-me português!
Por que os portugueses e brasileiros presentes na Galiza falam em castelhano?
Para se integrar socialmente.
A língua das pessoas emigrantes costuma ser um indício bastante fiável, em contextos plurilingues, de que língua funciona melhor socialmente. Aprender uma língua implica um esforço que se vê facilitado com o contacto social com os seus falantes. Assim sendo, se os emigrantes lusófonos investem nesse esforço é porque acham que será recompensado. Se o galego fosse a língua social da Galiza, teriam menos incentivos para investir na aprendizagem do castelhano.
Outra questom a tratar seria a expetativa dos e das emigrantes. Quando um brasileiro emigra para a Eslovénia ou a Suécia, tem a expetativa de que ali falam uma língua local. Quando emigra para a Galiza, a expetativa (salvo contadas exceções) é que falam espanhol porque na verdade estám a emigrar para a Espanha. Esta expetativa poderia ser talvez reformulada se o formato de galego que encontrassem fosse outro, mas, para além de ter uma presença periférica (escasseia nas cidades), a sua vestimenta oficial nom ajuda a fazer as ligações necessárias (galego=português).
Naqueles contextos onde o galego é hegemónico é habitual que os emigrantes lusófonos mantenham a sua língua, nomeadamente áreas rurais, ambientes culturais, certas áreas profissionais…


